Movimentos das Mulheres

Boa noite a todos! Esperamos que estejam bem, estamos de volta com mais uma das nossas reflexões. Hoje vamos falar-vos sobre alguns movimentos feministas que têm surgido ao longo do tempo.

Feminismo por definição é a doutrina ou movimento que visa a defesa dos direitos das mulheres com base no princípio da igualdade de direitos e de oportunidades entre os sexos, ou seja, com base na total igualdade de género. Por muitos comentários nas redes sociais e nos media, o feminismo é quase entendido como a tentativa de as mulheres serem superiores aos homens, mas não é essa a finalidade, porque nem é a palavra em si que importa, o que importa é a ambição e a ideias que estão escondidas por trás dela.

Em maio de 1984, surge a primeira greve fabril dirigida por mulheres após os seus patrões decidirem que os seus salários seriam reduzidos em 25% e que os horários de trabalho de todos os trabalhadores incluiriam mais uma hora de trabalho diário. Esta primeira greve teve lugar em Rhode Island nos Estados Unidos.

Até 1910, não se verificou nenhum outro movimento ou greve que deva ser mencionado, no entanto, tal não significa que a luta pela igualdade tenha cessado. Então, em 1910, a militante Clara Zetkin (alemã marxista e ativista que lutou intensamente pelos direitos das mulheres, essencialmente, no trabalho) propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher, sem definir uma data precisa, no II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhaga. Esta proposta feita por Zetkin estabelecia que a data seria um dia em que todas as mulheres trabalhadoras do Mundo seriam mobilizadas, abordando tanto a pauta da questão das mulheres no trabalho, como a luta pelo sufrágio, o direito ao voto feminino. 

Assim, este dia, com alguma controvérsia, começou a ser definido a 8 de março de 1917 associado fortemente a uma história muito bonita e que, como sempre, é reflexão da força imensa que todas as mulheres têm ao lutar pelos seus direitos. Esta história começa com uma manifestação espontânea, em que mulheres operárias do setor têxtil (tecelãs e costureiras) abandonaram os seus postos de trabalho nas fábricas, na Rússia, e saíram corajosamente às ruas de Petrogrado. Perante isto, o sentido do papel político e social das mulheres em todo o Mundo foi revolucionário e originou, naquela altura, um período intenso de atividades feministas em todo mundo. Em 1921, Alexandra Kollontai propõe durante a conferência das Mulheres Comunistas, realizada, em Moscovo, na URSS, que se adote o dia 8 de março como data única do Dia Internacional das Mulheres, em homenagem à greve das tecelãs em 1917.  A partir dessa conferência, a data passa a ser referida como data das comemorações da luta das mulheres, em todo o Mundo. Embora este dia seja muito significativo, só na década de 1960, as manifestações pelo Dia Internacional da Mulher ganham grandes proporções e só em 1975 e 1977, respetivamente, a ONU e a Unesco reconhecem o 8 de março como Dia Internacional da Mulher.

A 7 de setembro de 1968 em Atlantic City, mais precisamente no Atlantic City Convention Hall, nos Estados Unidos, temos episódio conhecido como a “Queima dos sutiãs”.  Este foi um evento de protesto com cerca de 400 ativistas do WLM (Women’s Liberation Movement) contra a realização do concurso de Miss América. Na verdade, a “queima”, propriamente dita, no entanto, a atitude foi revolucionária.

Em 1975 foi a vez das mulheres islandesas entrarem em greve com apoio quase total, incluindo dos sindicatos. Estas recusaram-se a trabalhar, cozinhar e cuidar das crianças por um dia. Mais de 25 mil mulheres reuniram-se para cantar, ouvir discursos e falar sobre o que poderia ser feito para mudar o país. Foi uma participação enorme para uma ilha de apenas 220 mil habitantes. O movimento também abriu espaço para que, cinco anos depois, em 1980, uma mãe solteira conquistasse a Presidência do país, tornando-se a primeira mulher presidente da Europa, e a primeira mulher no mundo a ser eleita democraticamente como chefe de Estado.

Mais recentemente e já no século XXI, teve início o movimento de solidariedade pela igualdade de género “HeForShe” criado pela Un Women em 2014 e extremamente divulgado e apoiado pela atriz Emma Watson. Este é um movimento impulsionado pela ideia de que não há um único país no Mundo que já tenha alcançado a igualdade de género. 

Em outubro de 2017, as mulheres e as redes sociais puseram em marcha o movimento #MeToo. Foi um tweet da atriz Alyssa Milano que desencadeou o fenómeno, apesar da expressão ter sido criada pela ativista norte-americana Tarana Burke, em 2006. A ideia era simples: incentivar as mulheres a mostrarem solidariedade umas com as outras, especialmente quando se tratava de casos de assédio sexual. O resultado foi avassalador. Nomes inconfundíveis da indústria de Hollywood, mas também da política e do desporto apareceram e o peso do movimento foi tal que, dois meses depois, a revista Time elegeu as mulheres (e homens) que denunciaram os casos de assédio como "Personalidade do ano". O movimento pretende que as queixas possam ser ouvidas e conhecidas sem serem julgadas.

Por último, há que referir que a primeira greve feminista em Portugal foi convocada em 2019 e que incluiu diversas manifestações. A greve feminista nacional, organizada pela rede 8 de março, é desde logo, mas não só, uma greve laboral. No manifesto é criticada a desigualdade salarial, tendo em consideração que as mulheres recebem menos 225 euros por mês do que os homens, mas também as condições precárias em que estas trabalham. Esta greve foi apoiada por diversos sindicatos e teve como mote: “Se as mulheres param, o mundo pára!” 

Escolhemos este tema como alvo da nossa reflexão, pois acreditamos que este seja realmente importante, pedimos que se acreditam na igualdade e estão dispostos a lutar por ela, se inspirem nestas histórias e movimentos. Por outro lado, dia 8, na próxima terça-feira, celebra-se o Dia Internacional da Mulher e, por isso, mais do que nunca faz sentido falar deste tema. Assim, este é um tema que é envolve toda a sociedade de uma maneira bastante significativa. Inspirem-se para poderem utilizar a vossa voz e fazerem parte desta luta que persiste na nossa sociedade e à qual ninguém pode ficar indiferente, façam parte da discussão!

Espero que tenham gostado desta reflexão! Até à próxima! :)

Comentários

  1. Olá! De facto, um dos grandes problemas de certas pessoas que são contra estes movimentos feitos pelas mulheres ao longo do tempo é exatamente não saberem distinguir feminismo de femismo. Como referiram, o feminismo é a procura por igualdade de oportunidades e direitos, independentemente do sexo. Por outro lado, o femismo é o inverso mas equivalente do machismo, ou seja, uma superioridade das mulheres em relação aos homens. Apesar de tudo o que as mulheres já conquistaram, é bastante triste o facto de terem de passar por tudo o que já passaram pelo simples facto de terem nascido do sexo feminino (ao que parece algumas pessoas não percebem que não se escolhe o sexo com que se nasce). Especialmente antes do 25 de abril, nascer rapariga era sinónimo de uma vida em casa, a tratar dos filhos e pouco mais, visto que a ideia da mulher não ter capacidade, jeito ou direito para fazer diversas coisas e trabalhar tal como os homens era predominante. Apesar da evolução e da desconstrução desta ideia por parte da sociedade, a verdade é que ainda hoje há uma certa desigualdade e discriminação das mulheres no mercado de trabalho, em termos de salários, etc. Ainda hoje, até mesmo na escola, ouvimos certos comentários do tipo: "tu és rapariga por isso não consegues fazer isto". Acho então que, para travar este tipo de comentários e discriminação para com as mulheres, é essencial educar as próximas gerações e fazê-las perceber que o sexo com que se nasce não define nada, mas sim o esforço e vontade com que fazemos as coisas. Por fim, acredito que com esta publicação tenham esclarecido o duro trabalho e luta que todas as mulheres fizeram, abrindo os olhos e sensibilizando algumas pessoas. Conhecia pouco da história e destes movimentos feministas que marcaram esta grande luta e fiquei bastante esclarecida depois de ler o que vocês partilharam.
    Espero que o meu comentário tenha sido enriquecedor.
    Obrigada e continuem com o ótimo trabalho!!

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