Dos dialectos dos peixes ao canto das baleias, esta biblioteca de sons quer pôr-nos a ouvir todos os ruídos do fundo do mar
Boa noite a todos,
estamos de volta com mais uma das nossas reflexões em grupo! A reflexão desta
semana será baseada numa notícia do Público que nós achámos bastante curiosa e
interessante por ser diferente daquilo que nós costumamos encontrar normalmente.
Assim, o tema da nossa reflexão de hoje é: “Dos dialetos dos peixes ao canto
das baleias, esta biblioteca de sons quer pôr-nos a ouvir todos os ruídos do fundo
do mar”.
Será lançada em breve uma
nova plataforma, com o nome de GLUBS, que vai permitir captar sons marinhos tanto
de espécies como conhecidas, como de espécies não identificadas. Esta
plataforma foi pensada para os cientistas, contudo, qualquer pessoa que se
interesse por vida marinha também poderá participar, pois, como é óbvio, não é
preciso ser-se um cientista, ou até mesmo um biólogo marinho para se escutar o
fundo do mar, assim, basta usar a aplicação.
Tal como podemos sentir a
falta de alguns instrumentos quando ouvimos uma orquestra, também a ausência de
sons emitidos por certos animais pode significar que algo se passa com os
oceanos. Para
monitorizar este ecossistema e evitar que a diversidade de sons se extinga,
Miles Parsons, autor de um estudo recentemente publicado na revista Frontiers in
Ecology and Evolution, e 16 outros cientistas estão a
desenvolver a então designada aplicação Biblioteca Global de Sons Biológicos
Subaquáticos (GLUBS), plataforma virtual que vai reunir uma base de dados de
sons aquáticos conhecidos e outros não identificados. “Com a biodiversidade em
declínio em todo o mundo e os seres humanos a alterar implacavelmente as
paisagens sonoras subaquáticas, há necessidade de documentar, quantificar e
compreender as fontes de sons de animais subaquáticos antes que estes
desapareçam potencialmente”, explica. O projeto promete ajudar os cientistas na
identificação de novos organismos através do som. Neste momento, entre as 250
mil espécies marinhas conhecidas, 126 mamíferos e mil invertebrados emitem
ruídos.
A ideia é uma mais-valia
não só para cientistas – que vêem assim facilitada a identificação de novas
espécies, o estudo da salinidade das águas, a monitorização de zonas de desova
ou a observação dos padrões de migração de mamíferos –, mas também para
curiosos, que têm à disposição uma vasta coleção de cacofonias emitidas pelas
espécies de água doce ou salgada. “Os organismos emitem e recolhem sons como
forma de interagir com o ambiente e, nesse sentido, os cientistas dedicam-se a
estudar outros comportamentos e outras atividades das espécies. A poluição
sonora nos oceanos é um problema e, sendo um problema, eles dedicam-se a
estudar os sons para perceber de que modo é que isso afeta os organismos”,
acrescenta.
Além de gratuita, a
plataforma vai incluir as espécies em falta nos catálogos, contrariando, desta
forma, as bibliotecas que se concentram apenas nas espécies nacionais e de
interesse para os investigadores do instituto anfitrião. A proposta surge
porque, defendem os cientistas, “uma base de dados de sons não-identificados é,
de certa forma, tão importante como uma base de dados de fontes conhecidas”.
Ainda que não tenham revelado datas, os autores garantem que a plataforma vai
estar disponível em breve. Hidrofones oceânicos ligados aos telemóveis,
sistemas de inteligência artificial e câmaras GoPro são os equipamentos que
podem ser utilizados na recolha dos sons. Além disto, o objetivo passa também
por expandir as descobertas através de aplicações para telemóvel. Desta forma,
quem tiver interesse no meio subaquático também pode captar o que ouve: basta
carregar os resultados na GLUBS através da aplicação River Listening,
que incentiva a gravação de sons de peixes nos rios e águas costeiras.
As espécies emitem sons
enquanto comem, rastejam e nadam, a biblioteca quer facilitar o estudo das
zonas de difícil acesso e das criaturas marinhas predominantemente noturnas ou
mais difíceis de encontrar. No caso destas áreas, a descrição dos ruídos
fornece uma visão da biodiversidade do oceano e, inclusive, já revelou que as
baleias podem ser nómadas e nadar em locais inesperados. Enquanto isso, apontam
os autores, os peixes parecem desenvolver sinais linguísticos diferentes entre
regiões que evoluem ao longo do tempo. Num momento em que a navegação, a
exploração petrolífera e a construção de turbinas eólicas contribuem, em larga
escala, para a poluição sonora oceânica, as descobertas sonoras só foram
possíveis “pela recente pausa no antropocentrismo que a covid-19 permitiu,
experienciada em vários locais aquáticos em todo o mundo”. “É preciso ligar os
sons às espécies”, defende o investigador, para que seja possível medir a
biodiversidade e, consequentemente, definir se um determinado ecossistema é ou
não saudável. “Se deixarmos de ouvir uma baleia, peixe ou caranguejo, é sinal
de que há qualquer coisa em falta nos ecossistemas.” A plataforma vai permitir
que os cientistas acompanhem as alterações dos habitats e os reconstruam.
Decidimos realizar uma
reflexão sobre este tema, pois foi um tema que considerámos ser bastante interessante
e pertinente, tendo em conta não só o nosso contexto atual, mas também os
nossos interesses. Para além disso, vivemos num país que tem uma costa bastante
extensa, o que potencia a existência de uma grande diversidade de vida marinha.
Assim, quem sabe se, o nosso país, a aplicação não virá a ter muitos
utilizadores se for devidamente divulgada. Por último, achamos que esta é uma
aplicação verdadeiramente revolucionária que pode mudar a forma como
percecionamos a vida marinha e os oceanos e como nos relacionamos com eles. Poderá
ser, também, uma ótima forma de melhorar a vida marinha e o impacto negativo
que as nossas ações têm tido sobre ela.
Esperemos que tenham
gostado da nossa reflexão! Até à próxima! :)
Achei este projeto extremamente interessante! A vida marinha, para quem não a estuda diretamente, pode traduzir-se numa grande incógnita, devido à imensidão que são os oceanos e à quantidade de seres vivos que lá coabitam. Esta aplicação é uma mais valia para conhecermos um pouco dessa incógnita, e de interagirmos (de forma indireta) com este ecossistema. É também impressionante a importância atribuída ao som, que poderá determinar uma nova espécie ainda não identificada. Esta é mais uma evidência da dimensão que toma a tecnologia no nosso dia a dia. Obrigada pela vossa partilha!
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