Abstenção em Portugal

Boa noite a todos, estamos de volta com mais uma das nossas reflexões em grupo! Esperemos que estejam bem e com saúde, tendo em conta o agravamento que a pandemia tem vindo a mostrar nos últimos dias. A nossa reflexão de hoje teve como inspiração algo que está muito próximo e que tem dominado os mais diversos meios de comunicação social. Dia 30 deste mês, ou seja, no próximo domingo ficará decidido qual será a constituição do nosso próximo governo, após o orçamento de estado para este ano de 2022 não ter sido aprovado. Assim, não querendo tomar o lado de nenhum partido político, até porque nós próprios ainda estamos a descobrir o nosso caminho na política, o tema da nossa reflexão será a abstenção em Portugal.

A abstenção, na política, é o ato de alguém se negar ou eximir de fazer opções ou escolhas, ou seja, neste caso, de votar. A verdade é que desde 1976, um ano após a realização das primeiras eleições livres, a abstenção tem representado um enfraquecimento da democracia em Portugal. Em 1975, os portugueses votaram, pela primeira vez, em eleições democráticas, livres e justas, que contaram com uma participação de 91,7%. No entanto, esta percentagem nunca mais se verificou e tem vindo a ser cada vez menor. 

Gráfico da Abstenção

“De acordo com um artigo do jornal Público publicado no dia 3 de outubro de 2019, entre os anos de 1975 e 2015, a abstenção em eleições para a Assembleia da República aumentou oito vezes, e a diferença entre as pessoas que estão recenseadas e as que votam é cada vez mais acentuada. Nas eleições legislativas de 1976, o número de abstencionistas ultrapassou um milhão. Em 1985, este valor subiu para dois milhões, e dez anos depois houve três milhões de pessoas que se abstiveram do voto. Já neste século, no ano de 2011, superou-se a marca dos quatro milhões de eleitores que não votaram, número que nas eleições legislativas de 2015 subiu para 4,2 milhões.” Nas últimas eleições legislativas, a abstenção atingiu mesmo a maioria tendo atingindo os 51,43%. Sendo as eleições legislativas do próximo domingo ainda em cenário pandémico, a percentagem de abstenção é ainda muito incerta, contudo, um especialista, João Cancela, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa afirma que: “não poderá ser considerado surpreendente se estas forem as eleições legislativas menos participadas de sempre”.  

Algumas causas apresentadas para o aumento da abstenção nos últimos anos:

v  As eleições são cada vez menos competitivas e mobilizadoras, resultando numa menor disposição futura para votar. Assim, as gerações tendem a estar cada vez mais desligadas da política.

v  O declínio de organizações que costumavam fazer uma ponte entre a vida das pessoas e a política. Em muitos países, os partidos sociais-democratas e outros partidos de esquerda nasceram tendo por base os sindicatos e as emanações políticas deles oriundas. Os sindicatos tinham uma contribuição importante para mobilizar as pessoas e fazer com que elas se mantivessem “dentro do sistema”;

v  Forte declínio da Igreja. Assistimos a um processo de secularização, ou seja, de afastamento das pessoas em relação à religião organizada. “Com o declínio da Igreja, as pessoas estão menos enquadradas, têm menos perceção de pertencerem a um grupo, são menos influenciadas pelas mensagens de liderança da religião organizada e são menos mobilizadas para o voto.”;

v  Crescimento dos níveis de instrução das pessoas pode justificar o aumento da abstenção. Acredita-se que quanto mais instruídas são as pessoas, menos disponíveis estão para formas de participação na política que são muito hierárquicas. De acordo com esta teoria, “quanto mais instruídas são as pessoas, mais insatisfeitas com o comportamento das elites políticas tendem a ficar, e menos o voto parece uma forma de participação política interessante”;

v  Com o aumento do descobrimento de casos de corrupção, a população tem cada vez mais a opinião de que a política é um “caso perdido”. Para além disso, as condições de vida das populações deixam, por vezes, muito a desejar e o facto de elas acharem que independentemente de quem esteja no poder isso não vai mudar, leva a que não apareçam para votar.

v  Não ser valorizado o voto em branco. O facto de não haver nenhuma opção que agrade aos votantes e de o voto branco não ser entendido como sinal de desaprovação, também contribuem para o aumento da abstenção. 

   Decidimos trazer-vos este tema hoje, uma vez que acreditamos que seja realmente urgente falar sobre ele. A abstenção é algo muito desvalorizado e não deveria ser. Pessoas da nossa história deram a sua vida para que pudéssemos ter o direito ao voto universal. Deste modo, tendo havido uma luta tão grande por parte dos nossos antecessores, deveríamos mudar a forma como olhamos para o ato de votar. Hoje em dia, para a maioria de nós é algo que damos como adquirido e banal, mas nem sem foi assim e é importante relembrarmo-nos disso. Este é um tema que mais do que nunca se relaciona com a sociedade e com aquela que é a nossa realidade atualmente. 

Esperemos que tenham gostado! Até à próxima! :)

Comentários

  1. Obrigada por terem mencionado este assunto tão importante! A abstenção este ano diminuiu ligeiramente, mas ainda assim continua com valores muito elevados, o que é uma forte ameaça à nossa democracia, tal como vocês referiram. Este assunto afeta de uma maneira muito direta a nossa sociedade, mas também afeta de forma indireta o ambiente, a ciência e a tecnologia, uma vez que o governo que for eleito irá tomar as medidas que considera mais acertadas em relação a este tema. O governo eleito poderá tomar medidas com as quais estas pessoas não concordem, e a melhor forma de o evitar é indo votar em alguém que apresente propostas que vão de encontro à nossa opinião e aos vossos valores. Gostei muito do vosso texto!

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Turismo Espacial

Movimentos das Mulheres