Transferência de gâmetas masculinos post mortem

Boa noite, sejam bem-vindos a mais uma reflexão em grupo no nosso blog! A semana passada tivemos uma tarefa sumativa na disciplina de biologia que consistiu em respondermos a quatro questões. Estas quatro questões tinham como base um parecer que refletia sobre a reprodução medicamente assistida post mortem, ou seja, sobre a situação de uma mulher utilizar os gâmetas masculinos de um homem já falecido na reprodução medicamenta te assistida. A última questão tinha como objetivo realizarmos uma reflexão crítica que relacionasse os temas: Ciência, Tecnologia e Sociedade considerando que a “transferência de embriões post mortem seja estendida à transferência de gâmetas masculinos”. Assim, tendo tido a oportunidade de finalizar esta questão na aula de hoje, vamos utilizá-la na nossa reflexão de hoje.

A transferência de gâmetas masculinos post mortem é uma questão que relaciona três temas fundamentais: Ciência, Tecnologia e Sociedade.

Já há alguns anos que a Ciência e a Tecnologia são dois conceitos que “andam” lado a lado, que se relacionam e complementam. Assim, uma vez mais, ambas se unem nas várias tentativas de resolver os mais variados problemas da medicina e na tentativa específica de não só de melhorar as condições de vida das pessoas, mas também as suas probabilidades. Sabemos pelos progressos científicos que o embrião é uma vida já formada, enquanto um gâmeta, quer seja masculino ou feminino, é “apenas” uma célula viva. Contudo, apesar de haver esta distinção entre os dois, os progressos tecnológicos em conjunto com os científicos trouxeram várias soluções para que seja possível a procriação medicamente assistida (PMA).

Assim, o aparecimento de técnicas como o congelamento de embriões e de gâmetas ou até da inseminação artificial, entre outras, deve-se a um trabalho conjunto de cientistas e “mestres” da tecnologia. Tendo todos os meios para que seja possível a realização da transferência de gâmetas masculinos post mortem de forma bem-sucedida, porque é o parecer desfavorável?

A resposta a esta questão pode ser facilmente identificada, se tivermos em conta, que tendo todas as técnicas disponíveis e sendo todas elas seguras, o fator que “falha” são as questões éticas e morais. Estas questões trazem, então, para a discussão a sociedade, as suas opiniões e crenças. Algumas das questões éticas que se levantam, e que são referidas no texto, são: o que fará a criança quando descobrir a forma como foi originada? Quais serão as características psicológicas e os comportamentos de uma criança que cresceu num ambiente de luto? Quais serão as motivações da mãe para proceder com as técnicas de reprodução medicamente assistida? Esta última questão levanta ainda várias outras, dado que múltiplas são ou podem ser as motivações da mulher. Algumas das que nós nos lembramos e que podem desafiar os princípios éticos e morais são: ter a criança como tentativa de “substituir” a figura masculina que morreu, tornando a criança um “objeto de luto ou substituição” e ter a criança com a finalidade de ficar com a sua herança temporariamente. Contudo, do poto da vista da mulher, que poderá ter a mais pura das intenções, todos e quaisquer princípios éticos como os referidos lhe parecerão “insignificantes” ou incorretos. Poderá deixar-se aqui a hipótese de a família (mãe e criança) ser acompanhada e avaliada psicologicamente desde a tomada de decisão por parte da mulher, como forma de “atenuar” as questões éticas.

Concluindo, juntando os temas Tecnologia e Ciência tem-se todas as condições para a transferência dos gâmetas masculinos post mortem, contudo, juntando a sociedade, o fator humano e todas as questões éticas que o rodeiam, chegamos às contrariedades. Assim, considerando todos os temas em conjunto para a questão colocada chegamos a um meio de controvérsias.

Se quiserem consultar o parecer: Cliquem aqui

Espero que tenham gostado! Fiquem atentos às nossas próximas reflexões! :)

 

 

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