Primeiro transplante bem sucedido com um rim de porco nos EUA
Boa tarde ou boa noite (para aqueles que jatam cedo)! Sejam bem-vindos a mais reflexão feita em conjunto pelo nosso grupo. Como tema da reflexão de hoje escolhemos uma notícia que saiu há poucos dias na BBC, no Jornal de Notícias e noutros órgãos de comunicação.
“Usar porcos para
transplantes não é uma ideia nova. As válvulas cardíacas de porco já são
amplamente utilizadas em humanos e os seus órgãos também têm tamanhos
semelhantes aos nossos.” Contudo, esta notícia é, de facto, especial por relatar
o primeiro transplante realizado, com sucesso, de um órgão de um porco para um
ser humano. O transplante foi realizado no Centro Médico Langone Health da
Universidade de Nova York, nos Estados Unidos ao longo de uma intervenção
cirúrgica que durou 2 horas. O órgão transplantado foi um rim, contudo, antes
de este ser colocado no recetor foi modificado geneticamente para que não fosse
automaticamente rejeitado quando fosse colocado no corpo humano. O recetor do
órgão, que não temos a certeza ser homem ou mulher, encontrava-se em morte
cerebral e apresentava sinais de insuficiência renal. A família do paciente não
se opôs à realização do procedimento experimental antes de serem desligadas as
máquinas de suporte de vida. O rim esteve ligado ao corpo humano durante três
dias para garantir que não haveria uma rejeição precoce. Chegou mesmo a haver a
produção de uma quantidade de urina igual à que é expectável existir num ser
humano “normal”.
“Os investigadores trabalharam com a colaboração de especialistas - de ética, legais e religiosos - antes de pedir à família o acesso temporário ao corpo, referiu o cirurgião.” Podemos ainda dizer que o próprio cirurgião responsável, Montgomery, tem um coração transplantado e “diz que há uma necessidade urgente de encontrar mais órgãos para pessoas em listas de espera, embora reconheça que seu trabalho é controverso”. Assim, ele afirma ainda que: “O paradigma tradicional de que alguém tem que morrer para outro viver deixaria de existir”.
Esta foi uma experiência
um tanto controversa por levantar diversas questões éticas às quais a sociedade
terá eventualmente de responder se este tipo de procedimento começar a ser
utilizado com mais regularidade. No entanto, não deixa também de ser uma
conquista muito importante para a comunidade médica e científica, na medida em
que se demonstrou que, dentro de algumas décadas, poderia começar a utilizar-se
outros órgãos do porco, nomeadamente coração, pulmão e fígado, para realizar
mais transplantes e conseguir assegurar que os pacientes saiam mais rápido das listas
de espera.
Escolhemos este tema para
a nossa reflexão por ser um tema relacionado com a disciplina de biologia e com
os temas: tecnologia e ciência. Para além disto, não há como negar que, apesar
de controversa, a experiência se revelou interessante e desafiante para aquelas
que são as nossas capacidades para conseguir alcançar progressos no campo da
saúde.
Agradecemos que continuem
connosco e a acompanhar o nosso percurso! :)
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